sábado passado fugi pra assistir Trapaça, antes de voltar à rotina que eu deveria ter (mas que ainda mal comecei) de estudar para os concursos "em cartaz" até o final do primeiro semestre.
eu estava me remoendo de remorsos por estar fora da biblioteca naquele começo de tarde, mas, quando entrei na fila pra comprar o ingresso, reconheci a pessoa que estava na minha frente, no Casa Park.
pra algumas coisas, como diz a minha avó, eu sou muito "muderna", mas, pra outras, sou extremamente desconfiada... e se tem algo com o que eu tenho um receio monstruoso é de entrar em aplicativos ou salas de bate-papo, com o objetivo de conhecer pessoas!
sou old-fashioned nesse quesito, nunca prescindi de olho no olho, de "bater o santo" ao vivo, de ter alguém a quem eu possa referenciar a criatura que estou conhecendo... ser amigo dos meus amigos próximos é um excelente cartão de visitas (mas não se sustenta sem que a pessoa tenha alguma substância).
por isso, assumo que mordi a língua ("dicunforça") com o twitter. pode parecer óbvio para os usuários mais massivos, mas eu comecei a seguir algumas pessoas, conhecer o seu senso de humor e de escrita (e me encantar com a loucura alheia), e comecei a seguir alguns que os primeiros seguiam, por compatibilidade de gênios...
assim, não me lembro ao certo de como cheguei até o @philosopop, mas sei porque continuei: dono de um humor impecável e ferino (meu número!), analista de realities shows (não só as bagaceiras brasileiras) e de o que mais cair na sua mente/frente, tem o "agravante" de também morar em brasólia.
quando o vi, na fila do ingresso, nem titubeei em fazer o momento tiete e conversamos um tempo sobre a vida em brasólia, cinema, realities e afins, junto do também gente finíssima @danielcouri :)
o mais interessante disso tudo foi vivenciar a inversão da ordem padrão de se conhecer pessoas, e a compreensão de que, há muito, as redes sociais se tornaram um emaranhado de relações, interesses e possibilidades.
eles foram assistir a outra sessão e eu fui para a sala, ver o meu filme, ainda rindo por dentro, do que tinha acabado de acontecer...
como eu havia dito pra eles, estava curiosíssima para descobrir se o Christian Bale havia feito fono (ele mal abria a boca para falar, no Batman), e fui surpreendida (para o bem) com a sua atuação -- quem sabe, agora, eu consiga ver O Vencedor, que também é do David O. Russel, sem grandes preconceitos com o protagonista?
outro merecido destaque a ser feito é para Amy Adams, incrível, e que, junto do Christian Bale, conseguiram ofuscar Jennifer Lawrence e Bradley Cooper (também favoritos do diretor, atuaram juntos em O Lado Bom da Vida, rendendo a ela o Oscar de Melhor Atriz).
além da trilha sonora maravilhosa e do figurino impecável, preciso assumir a minha tendência a torcer pelos que vivem fora da moral: há quem viva sob regras e as siga à risca, mas há quem conviva com elas de forma fluida, percebendo os seus furos e se desgarrando da boiada.
por isso, amo tanto os vigaristas, os desajustados, aqueles que tinham tudo para serem uma mera carcaça, mas que, ao contrário, se rebelam!
mais do que apenas sobreviver, os que saem do roteiro verdadeiramente vivem!
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
L04 - As Vantagens de ser Invisível
eu não sou uma pessoa boa. não mesmo. eu julgo, eu comparo, eu especulo, eu fecho gestalts... não sei se todo mundo é assim, mas a impressão que me passa é que as pessoas não costumam se assumir, ou tentam ser aquilo o que os outros querem que elas sejam.
geralmente, sucumbimos a isso na adolescência (querer não ser, independente do que se sinta, também é dar satisfação da sua vida para os outros), mas há pessoas que são assim pra sempre: passam tanto tempo tentando agradar aos outros que se põem em último lugar.
esse prelúdio foi um pouco para falar que nunca presenciei ninguém se expressar tão crua e despidamente como nas cartas de Charlie (pseudônimo), o protagonista desta história. o livro é todo contado por meio dos relatos dele para alguém que ele não conhece e que não tem o seu endereço, para responder de volta.
Charlie tem 15 anos e está passando por uma fase realmente difícil: vai começar o ensino médio, o irmão mais velho está indo embora, o melhor amigo dele se matou no verão anterior e ele não sabe muito bem como lidar com tudo sozinho.
mas quem sabe? quem tem as respostas, com essa idade?
olhando pra trás, acho que o ano em que fiz 15 foi um dos piores da minha vida... nossa, como eu era babaca (mais do que sou hoje, acreditem!)! eu era blasée, não sabia como me comportar no mundo novo que estava acontecendo, extremamente impaciente e autocentrada, e tinha muita raiva dos modelos prêt-à-porter que eram considerados válidos nos círculos sociais onde andava.
por um tempo, juro, eu quis caber naquilo tudo. até perder a paciência e ligar o foda-se!
no final deste ano, eu tinha conseguido a proeza de ter ficado em recuperação em todas as matérias, exceto inglês. e a que quase me reprovou foi literatura... mas esses tenebrosos meses me prepararam para o que sou hoje e, já indo para os 16 (amém!), comecei o meu relacionamento mais duradouro e gratificante: com os livros.
tive um professor maravilhoso, assumidamente gay (coisa rara, nos early 90's), que chegou quebrando com os paradigmas sacais de ler por obrigação. na sua primeira aula, foi o único que não falou de vestibular ou de obrigações de provas. ele contou, com os olhos brilhando, os livros que mais o tinham marcado na vida, e começou a citar as partes mais interessantes deles.
dos 3 que mais me marcaram da lista pessoal do professor, tinha um na estante de casa: O Perfume, de Patrick Süskind. resolvi pegá-lo numa tarde, mas quem me pegou, de fato, foi ele. demorei 2 semanas para terminá-lo, pois lia devagar e me deliciava com a loucura carente e megalomaníaca de Grenouille.
dali em diante, comecei a ler tudo o que me parecesse diferente (inclusive grandes clássicos, que não são clássicos por acaso). nisso, Charlie e eu nos aproximamos. ele devorava os livros que Bill, seu professor, indicava, além da lista obrigatória.
Charlie é apenas 2 anos mais velho que eu, e suas referências comportamentais, musicais e de tv me são muito fortes e significativas (talvez por isso, tenha devorado a sua história em menos de 24 horas).
a geração de hoje não tem como valorizar uma fita de músicas favoritas, por exemplo. o trabalho que dava pra fazer isso e a satisfação ao ter quase uma obra de arte personalizada nas mãos... mixtapes eram tão pessoais que algumas minhas nunca foram emprestadas ou ouvidas por ninguém, além de mim.
se eu conhecesse Charlie, teria uma relação extrema com ele: ou o adoraria ou o odiaria, mas, por mais que ele, em alguns momentos, se torne/ache invisível, ele não me passaria despercebido.
porém, como eu disse no começo desse texto, eu o julgaria. muito. porque ele é ainda mais complexo e atarantado do que se é, aos 15.
Charlie não é linear (não acho que ninguém o seja), e o melhor: não tenta sê-lo. ele se afunda no seu emaranhado de ideias, ora desatento, ora vendo o que ninguém vê. acredito que talvez essa loucura, às vezes canalizada, nos atrairia.
como imagino estar claro, gostei muito do livro, especialmente por conta da visão de mundo do protagonista (que lembra muito um grande amigo meu, o João Vilnei), e estou francamente curiosa para ver a sua adaptação para o cinema. nesse final de semana, se a minha agenda deixar, tentarei vê-lo.
UPDATE
vi o filme no dia seguinte (8 de fevereiro). mesmo com o elenco excepcional (Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller), o livro ainda foi infinitamente melhor do que a adaptação para o cinema.
talvez pela delicadeza do tema, no filme tudo fica mais raso...
geralmente, sucumbimos a isso na adolescência (querer não ser, independente do que se sinta, também é dar satisfação da sua vida para os outros), mas há pessoas que são assim pra sempre: passam tanto tempo tentando agradar aos outros que se põem em último lugar.
esse prelúdio foi um pouco para falar que nunca presenciei ninguém se expressar tão crua e despidamente como nas cartas de Charlie (pseudônimo), o protagonista desta história. o livro é todo contado por meio dos relatos dele para alguém que ele não conhece e que não tem o seu endereço, para responder de volta.
Charlie tem 15 anos e está passando por uma fase realmente difícil: vai começar o ensino médio, o irmão mais velho está indo embora, o melhor amigo dele se matou no verão anterior e ele não sabe muito bem como lidar com tudo sozinho.
mas quem sabe? quem tem as respostas, com essa idade?
olhando pra trás, acho que o ano em que fiz 15 foi um dos piores da minha vida... nossa, como eu era babaca (mais do que sou hoje, acreditem!)! eu era blasée, não sabia como me comportar no mundo novo que estava acontecendo, extremamente impaciente e autocentrada, e tinha muita raiva dos modelos prêt-à-porter que eram considerados válidos nos círculos sociais onde andava.
por um tempo, juro, eu quis caber naquilo tudo. até perder a paciência e ligar o foda-se!
no final deste ano, eu tinha conseguido a proeza de ter ficado em recuperação em todas as matérias, exceto inglês. e a que quase me reprovou foi literatura... mas esses tenebrosos meses me prepararam para o que sou hoje e, já indo para os 16 (amém!), comecei o meu relacionamento mais duradouro e gratificante: com os livros.
tive um professor maravilhoso, assumidamente gay (coisa rara, nos early 90's), que chegou quebrando com os paradigmas sacais de ler por obrigação. na sua primeira aula, foi o único que não falou de vestibular ou de obrigações de provas. ele contou, com os olhos brilhando, os livros que mais o tinham marcado na vida, e começou a citar as partes mais interessantes deles.
dos 3 que mais me marcaram da lista pessoal do professor, tinha um na estante de casa: O Perfume, de Patrick Süskind. resolvi pegá-lo numa tarde, mas quem me pegou, de fato, foi ele. demorei 2 semanas para terminá-lo, pois lia devagar e me deliciava com a loucura carente e megalomaníaca de Grenouille.
dali em diante, comecei a ler tudo o que me parecesse diferente (inclusive grandes clássicos, que não são clássicos por acaso). nisso, Charlie e eu nos aproximamos. ele devorava os livros que Bill, seu professor, indicava, além da lista obrigatória.
Charlie é apenas 2 anos mais velho que eu, e suas referências comportamentais, musicais e de tv me são muito fortes e significativas (talvez por isso, tenha devorado a sua história em menos de 24 horas).
a geração de hoje não tem como valorizar uma fita de músicas favoritas, por exemplo. o trabalho que dava pra fazer isso e a satisfação ao ter quase uma obra de arte personalizada nas mãos... mixtapes eram tão pessoais que algumas minhas nunca foram emprestadas ou ouvidas por ninguém, além de mim.
se eu conhecesse Charlie, teria uma relação extrema com ele: ou o adoraria ou o odiaria, mas, por mais que ele, em alguns momentos, se torne/ache invisível, ele não me passaria despercebido.
porém, como eu disse no começo desse texto, eu o julgaria. muito. porque ele é ainda mais complexo e atarantado do que se é, aos 15.
Charlie não é linear (não acho que ninguém o seja), e o melhor: não tenta sê-lo. ele se afunda no seu emaranhado de ideias, ora desatento, ora vendo o que ninguém vê. acredito que talvez essa loucura, às vezes canalizada, nos atrairia.
como imagino estar claro, gostei muito do livro, especialmente por conta da visão de mundo do protagonista (que lembra muito um grande amigo meu, o João Vilnei), e estou francamente curiosa para ver a sua adaptação para o cinema. nesse final de semana, se a minha agenda deixar, tentarei vê-lo.
UPDATE
vi o filme no dia seguinte (8 de fevereiro). mesmo com o elenco excepcional (Logan Lerman, Emma Watson e Ezra Miller), o livro ainda foi infinitamente melhor do que a adaptação para o cinema.
talvez pela delicadeza do tema, no filme tudo fica mais raso...
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
L03 - O Chamado do Cuco
ontem terminei o 1º livro que eu escolhi para ler este ano -- os do Almodóvar pularam na minha cabeça e eles não foram escolha, foram prioridade!
entre os muitos títulos (que comprei ou baixei nos últimos tempos) e que me lançam olhadas with lasers por eu não lhes dar a atenção devida, este livro me ganhou por um motivo muito simples (não, não foi apenas porque a J. K. Rowling o escreveu e eu estava curiosa): quando baixei o arquivo para o meu kobo, seu nome de guerra ficou ochamadodocu.epub -- como não atender prontamente a este chamado? :P
claro que o meu primeiro trabalho foi descobrir o que significava o pseudônimo de titia Joanne, que é chegada numas mensagens subliminares (e que depois faz esquema com multinacionais pra enlouquecer os fãs!)...
[miniflashback slash devaneio]
na época em que o finado orkut borbulhava de teorias da conspiração pós-morte de Sirius Black e aguardando furiosamente o lançamento do 6º livro com uma foto do Serginho Mallandro dizendo que tinha sido pegadinha, o povo se pegava em qualquer coisa para justificar furos na história.
então, poucas semanas antes de sair o Half-Blood Prince, ocorreu o "efeito mcdonalds": a rede de fastfood lançou uma campanha de significados de nomes nos protetores de bandeja e, no meio de 357 nomes, apareceu Hermione, cujo significado é aquela que guarda um segredo.
ficaram tão surtados achando que ela saberia que Sirius não havia morrido que se esqueceram de que, no 3º livro, há um capítulo chamado O Segredo de Hermione e que todos (eu disse TODOS) os nomes da série foram escolhidos pelo seu significado.
mas a maior teoria da conspiração foi o fato de essa campanha, que trazia, na sua maioria, nomes comuns, ter trazido um nome tão emblemático para os fãs da série. #JKRowlingMente
[/miniflasback slash devaneio]
voltando à vaca fria, me senti jogando Torto (Revista Coquetel) para descobrir que mensagem titia queria deixar para os seus fãs, e fiquei muito surpresa (mentira! fiquei #chatiada por não ser I am Lord Voldemort) por ter achado um anagrama artístico e até concordar com ela :P
saindo das subliminaridades, vou ao enredo. o livro é um romance policial, que começa com uma supermodelo que tinha problemas com drogas e que "caiu" da sacada do seu apartamento para a morte. a polícia arquivou o caso dizendo que havia sido suicídio, mas o irmão da vítima não se conformou com isso e resolveu contratar um detetive com sérios problemas financeiros (e pessoais), que havia sido amigo do seu também falecido irmão, na adolescência.
admito que tive medo, muito medo. não da história em si, mas de que titia surtasse ou tomasse as bolas que algumas vezes Agatha Christie era chegada, para fazer uma história cheia de pontas soltas e depois o assassino ser o cara que tava atrás do coqueiro e que nunca tinha aparecido na história (uso indiscriminado de Deus ex Machina).
pequeno adendo: preciso aqui defender o fenomenal O Caso dos 10 Negrinhos (Agatha Christie), pois não entra na lista de livros dadaístas de crimes.
obviamente, a história é muito bem escrita, muito bem amarrada, mas não teve o pleonástico encanto da sua saga anterior... é uma escrita mais adulta (claro!), e tem bastante potencial (há indícios óbvios de que Cormoran Strike voltará a solucionar mistérios).
aprendi até uma palavra nova (no estilo nunca te vi, sempre tepratiquei amei): Diatribe (s.f. Crítica severa e mordaz; escrito ou discurso agressivo e injurioso) :)
nem sei se ela está escrevendo um próximo, mas, caso afimativo, espero que o nome fique tão excelente quanto esse, quando for reduzido a 12 caracteres :P
p.s. a melhor aquisição que já fiz nos últimos tempos foi o meu kobo! adoro o cheiro de livro novo, mas poder ler muito tempo deitada sem ter que segurar muito peso e poder desligar a luz do quarto e ler só com a luz do reader me ganhou para sempre! ♥
entre os muitos títulos (que comprei ou baixei nos últimos tempos) e que me lançam olhadas with lasers por eu não lhes dar a atenção devida, este livro me ganhou por um motivo muito simples (não, não foi apenas porque a J. K. Rowling o escreveu e eu estava curiosa): quando baixei o arquivo para o meu kobo, seu nome de guerra ficou ochamadodocu.epub -- como não atender prontamente a este chamado? :P
claro que o meu primeiro trabalho foi descobrir o que significava o pseudônimo de titia Joanne, que é chegada numas mensagens subliminares (e que depois faz esquema com multinacionais pra enlouquecer os fãs!)...
[miniflashback slash devaneio]
na época em que o finado orkut borbulhava de teorias da conspiração pós-morte de Sirius Black e aguardando furiosamente o lançamento do 6º livro com uma foto do Serginho Mallandro dizendo que tinha sido pegadinha, o povo se pegava em qualquer coisa para justificar furos na história.
então, poucas semanas antes de sair o Half-Blood Prince, ocorreu o "efeito mcdonalds": a rede de fastfood lançou uma campanha de significados de nomes nos protetores de bandeja e, no meio de 357 nomes, apareceu Hermione, cujo significado é aquela que guarda um segredo.
ficaram tão surtados achando que ela saberia que Sirius não havia morrido que se esqueceram de que, no 3º livro, há um capítulo chamado O Segredo de Hermione e que todos (eu disse TODOS) os nomes da série foram escolhidos pelo seu significado.
mas a maior teoria da conspiração foi o fato de essa campanha, que trazia, na sua maioria, nomes comuns, ter trazido um nome tão emblemático para os fãs da série. #JKRowlingMente
[/miniflasback slash devaneio]
![]() |
| mesmo com erro de concordância, tá? |
admito que tive medo, muito medo. não da história em si, mas de que titia surtasse ou tomasse as bolas que algumas vezes Agatha Christie era chegada, para fazer uma história cheia de pontas soltas e depois o assassino ser o cara que tava atrás do coqueiro e que nunca tinha aparecido na história (uso indiscriminado de Deus ex Machina).
pequeno adendo: preciso aqui defender o fenomenal O Caso dos 10 Negrinhos (Agatha Christie), pois não entra na lista de livros dadaístas de crimes.
obviamente, a história é muito bem escrita, muito bem amarrada, mas não teve o pleonástico encanto da sua saga anterior... é uma escrita mais adulta (claro!), e tem bastante potencial (há indícios óbvios de que Cormoran Strike voltará a solucionar mistérios).
aprendi até uma palavra nova (no estilo nunca te vi, sempre te
nem sei se ela está escrevendo um próximo, mas, caso afimativo, espero que o nome fique tão excelente quanto esse, quando for reduzido a 12 caracteres :P
p.s. a melhor aquisição que já fiz nos últimos tempos foi o meu kobo! adoro o cheiro de livro novo, mas poder ler muito tempo deitada sem ter que segurar muito peso e poder desligar a luz do quarto e ler só com a luz do reader me ganhou para sempre! ♥
quinta-feira, 30 de janeiro de 2014
C07 - Ninfomaníaca
atravessei a tarde inteira, de sala em sala de cinema, para chegar ao terceiro.
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| ♥ ♥ ♥ |
soma-se a isso o fato de que eu só havia visto do Lars Von Trier o Dançando no Escuro, que quase me desmanchou em lágrimas, fazendo com que eu precisasse ficar sozinha (uma noite inteira), para me recompor -- o que frustrou uma possível volta de um namoro que não devia mesmo ter sobrevida (obrigada pelo timing, amigow!) --, e eu estava curiosíssima pelo filme.
o problema é que eu não consegui prestar muita atenção no começo, porque um baitola levou um galeto enrolado em 5 metros de papel alumínio, e ficou fazendo um barulho demoníaco pra desembrulhar a marmita e depois ficou se agarrando com a embalagem um bom tempo, aquele puto!
voltando ao filme, fiquei impressionada com a educação da sala (exceto pelo barulhento da fileira atrás da minha), pois ninguém falou nada do tempo em que a tela ficou preta, no começo.
não vou ficar aqui falando sobre o conteúdo do filme, porque acho que todo mundo mais ou menos já sabe: é a narrativa da vida de uma ninfomaníaca.
mas o que me encantou com o filme foram as metáforas que conduziram o enredo, e que, tirando o senhorzinho que passou mal na sessão, aqui em brasólia, acredito ser senso comum que o filme não é um mero pornô, como muitos propagavam antes da estreia.
mesmo com a Uma Thurman roubando a cena, Stellan Skarsgård, Shia LaBeouf e Christian Slater também merecem destaque no elenco de excelentes atores.
o filme fez muito bem o seu papel em instigar o público a querer ver o 2º Volume (com estreia prevista para março agora), e estou particularmente curiosa para entender, afinal, o que pode ter ocorrido para que a protagonista, que aparece nos seus relatos como alguém que só se interessa pelo seu próprio prazer e por si, demonstrar tanto desprezo por tudo o que viveu [SPOILER ALERT: especialmente após a reação dela com a morte do pai].
C06 - Frozen
o segundo do pancadão do sábado passado foi Frozen, que admito só ter sabido que este filme existia uma semana antes de vê-lo e também admito tê-lo assistido por W.O. (o que eu queria mesmo assistir ia me dar um chá de cadeira de quase 2 horas, então resolvi me jogar -- rezando furiosamente para não ter dublagem do Luciano Huck, o trauma de Enrolados foi demais para o meu ♥)!
como eu estava no meu momento João das Neves, sem saber absolutamente de ♪ nada, nada, nada, naaaada ♫, no começo eu quase me virei pra um dos pivetes na sessão lotada pra tirar algumas dúvidas, porque o filme tem um roteiro bem menos óbvio do que os que estou acostumada, e achei que eu tinha perdido algo.
fiquei um poucobrôca confusa, principalmente, porque a história não é sobre a personagem que é diferente (Princesa Elsa, que tem o poder de congelar coisas), e sim, sobre a sua irmã caçula, Ana.
o pior é que nunca me lembro de que filme da disney sempre tem as cantorias sem fim (sou a cantora mais desunida da classe, odiiiiiiiiilho musicais, me julguem!), e eu me flagrava, em alguns momentos, desejando quase audivelmente "por favor, não cantem, por favor!".
não chega aos pés de Valente, mas os personagens são bem construídos, apesar de o roteiro ser aquela coisa meio água com açúcar com mensagem de autoajuda que os Beatles já faziam há 45 anos, no Yellow Submarine, e que foi explorada ad aeternum em muitas obras (oi, J. K. Rowling!).
foi uma sessão da tarde razoável, por mérito todo do Olaf (o boneco de neve) que, além de ser maravilhosamente fofo, fez com que eu repassasse toda essa conversa insana na cabeça, durante o filme, e rir.
como eu estava no meu momento João das Neves, sem saber absolutamente de ♪ nada, nada, nada, naaaada ♫, no começo eu quase me virei pra um dos pivetes na sessão lotada pra tirar algumas dúvidas, porque o filme tem um roteiro bem menos óbvio do que os que estou acostumada, e achei que eu tinha perdido algo.
fiquei um pouco
o pior é que nunca me lembro de que filme da disney sempre tem as cantorias sem fim (sou a cantora mais desunida da classe, odiiiiiiiiilho musicais, me julguem!), e eu me flagrava, em alguns momentos, desejando quase audivelmente "por favor, não cantem, por favor!".
não chega aos pés de Valente, mas os personagens são bem construídos, apesar de o roteiro ser aquela coisa meio água com açúcar com mensagem de autoajuda que os Beatles já faziam há 45 anos, no Yellow Submarine, e que foi explorada ad aeternum em muitas obras (oi, J. K. Rowling!).
foi uma sessão da tarde razoável, por mérito todo do Olaf (o boneco de neve) que, além de ser maravilhosamente fofo, fez com que eu repassasse toda essa conversa insana na cabeça, durante o filme, e rir.
C05 - A Fita Azul
sábado passado eu resolvi voltar a fazer pancadão cinematográfico (3 sessões de filmes seguidas), e o primeiro desta saga foi o A Fita Azul.
eu tinha visto o trailer e achei que o plot tinha uma grande chance de ser ou muito bom ou muito ruim, motivo suficiente para me levar ao cinema (essa audácia nos roteiros tem me rendido filmes interessantíssimos, como o melhor que vi ano passado, Branca de Neve, do Pablo Berger).
eu estava preparada para, pela segunda vez na vida, assistir à sessão completamente sozinha (a primeira foi ao ver o brasileiro Corda Bamba, também ano passado, também num pancadão triplo), mas um pai e sua filha de uns 11 anos (!!!) entraram, pouco antes da sessão começar.
o filme conta a história de Rachel, filha de um pastor de religião não nominada mas bastante conservadora, cuja família mora no interior de Utah, numa espécie de comunidade quase autossuficiente e avessa à tecnologia (numa vibe bem amish).
ela tem 15 anos e é completamente inocente, acreditando piamente em tudo o que lhe é dito (mas tem, dentro de si, dúvidas e inquietações que a impedem de uma mera ovelha).
na noite do seu aniversário, ela ouve, clandestinamente, a uma fita sem identificação (a famigerada fita azul). foi a primeira vez que ela ouviu rock, e ela comparou a sensação que aquilo lhe trouxe a uma espécie de arrebatamento.
e ela engravidou. da fita. como se o objeto fosse o próprio Espírito Santo.
quando a família descobriu que ela estava grávida, arranjou um casamento com um avulso qualquer, e Rachel fugiu, em busca do cantor da música que "a engravidou", aquele que ela acreditava que era pai do filho que carregava.
a leveza com que ela foi, aos poucos, descobrindo o mundo (ou não) me lembrou um pouco as histórias que Oliver Sacks escreve sobre seus pacientes, como a cena antológica do cego que fez uma cirurgia para voltar a enxergar e teve que ser apresentado a uma maçã (que ele só reconheceu após fechar os olhos) -- adaptada para o cinema no À Primeira Vista.
mas, o mais interessante (e aterrorizante) no filme, para mim, foi perceber o quanto as pessoas podem ser ingênuas e crédulas.
eu tinha visto o trailer e achei que o plot tinha uma grande chance de ser ou muito bom ou muito ruim, motivo suficiente para me levar ao cinema (essa audácia nos roteiros tem me rendido filmes interessantíssimos, como o melhor que vi ano passado, Branca de Neve, do Pablo Berger).
eu estava preparada para, pela segunda vez na vida, assistir à sessão completamente sozinha (a primeira foi ao ver o brasileiro Corda Bamba, também ano passado, também num pancadão triplo), mas um pai e sua filha de uns 11 anos (!!!) entraram, pouco antes da sessão começar.
o filme conta a história de Rachel, filha de um pastor de religião não nominada mas bastante conservadora, cuja família mora no interior de Utah, numa espécie de comunidade quase autossuficiente e avessa à tecnologia (numa vibe bem amish).
ela tem 15 anos e é completamente inocente, acreditando piamente em tudo o que lhe é dito (mas tem, dentro de si, dúvidas e inquietações que a impedem de uma mera ovelha).
na noite do seu aniversário, ela ouve, clandestinamente, a uma fita sem identificação (a famigerada fita azul). foi a primeira vez que ela ouviu rock, e ela comparou a sensação que aquilo lhe trouxe a uma espécie de arrebatamento.
e ela engravidou. da fita. como se o objeto fosse o próprio Espírito Santo.
quando a família descobriu que ela estava grávida, arranjou um casamento com um avulso qualquer, e Rachel fugiu, em busca do cantor da música que "a engravidou", aquele que ela acreditava que era pai do filho que carregava.
a leveza com que ela foi, aos poucos, descobrindo o mundo (ou não) me lembrou um pouco as histórias que Oliver Sacks escreve sobre seus pacientes, como a cena antológica do cego que fez uma cirurgia para voltar a enxergar e teve que ser apresentado a uma maçã (que ele só reconheceu após fechar os olhos) -- adaptada para o cinema no À Primeira Vista.
mas, o mais interessante (e aterrorizante) no filme, para mim, foi perceber o quanto as pessoas podem ser ingênuas e crédulas.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
C04 - A Grande Beleza
fiquei contraditoriamente feliz quando, ao chegar ao cinema, pois peguei uma fila de mais de 10 minutos para comprar o ingresso (detalhe: faltava mais de 40 minutos para o filme começar!). sala espantosamente lotada (feito incrível, mesmo para o ganhador de melhor filme estrangeiro do Golden Globe)!
a história começa numa festa Ibiza style, com ritmo frenético, sem que se entenda ao certo o que está rolando, até finalmente uma criatura sair de dentro de um bolo e perceber-se que se trata do aniversário de alguém.
este alguém deve ser, obviamente, rico, importante e influente. então, somos apresentados à Jep Gambardella, hedonista, irônico e carismático, escritor de um único livro (O Aparato Humano).
mora em Roma (a sacada da sua casa dá para o Coliseu), é jornalista (faz entrevistas a artistas), gira ao ritmo acelerado das muitas festas para as quais é convidado, dorme apenas quando o sol já nasceu, ou como ele mesmo diz, quando os outros estão se levantando.
um certo mal estar o acompanhou por fazer mais um ano (65, especificamente), mas ele tentava não dar muita atenção a isso, mantendo a sua "rotina". mas a notícia da morte de um grande amor do passado tirou-lhe o chão.
alguns filmes têm o poder de me fazer entrar na tela, esquecer-me de que estou na cadeira e de só me devolver no final, quando olho ao redor, espantada, e percebo que estava em transe. mas A Grande Beleza não é destes (pelo menos, para mim)... ele fez com que eu acompanhasse o questionamento do protagonista, também questionando a minha própria vida e as minhas próprias escolhas.
com o desenrolar da trama, fica claro que ele é um escritor frustrado, que menospreza o trabalho que faz, mas não tenta, de fato, escrever uma segunda obra -- nesta altura, não fica claro se tem medo de não conseguir escrever algo à altura da primeira, ou se está meramente esperando o insight aparecer.
neste meio tempo, apesar da sua visão blasée e sarcástica do mundo, há um fio de esperança, tênue e discreto, por trás.
quem não se identificaria quando ele decidiu que já tinha idade suficiente para não ter que fazer o que não quer? quem não se emocionaria com o seu olhar faminto e entregue às obras de arte que o rodeiam?
Henri Bergson, um dos expoentes no estudo sobre humor, explica que entre nós e a natureza, melhor, entre nós e nossa própria consciência, um véu se interpõe, véu espesso para o comum dos homens, leve véu, quase transparente, para o artista e para o poeta.
o véu, para Jep, é quase inexistente. mas ele escolheu usar uma venda.
porém a sua epifania vem de uma sucessão de circunstâncias inusitadas, que passam pela despedida de um grande amigo e por um truque de desaparecimento de uma girafa, culminando em uma revoada de flamingos... assim, não há venda que resista!
a história começa numa festa Ibiza style, com ritmo frenético, sem que se entenda ao certo o que está rolando, até finalmente uma criatura sair de dentro de um bolo e perceber-se que se trata do aniversário de alguém.
este alguém deve ser, obviamente, rico, importante e influente. então, somos apresentados à Jep Gambardella, hedonista, irônico e carismático, escritor de um único livro (O Aparato Humano).
mora em Roma (a sacada da sua casa dá para o Coliseu), é jornalista (faz entrevistas a artistas), gira ao ritmo acelerado das muitas festas para as quais é convidado, dorme apenas quando o sol já nasceu, ou como ele mesmo diz, quando os outros estão se levantando.
um certo mal estar o acompanhou por fazer mais um ano (65, especificamente), mas ele tentava não dar muita atenção a isso, mantendo a sua "rotina". mas a notícia da morte de um grande amor do passado tirou-lhe o chão.
alguns filmes têm o poder de me fazer entrar na tela, esquecer-me de que estou na cadeira e de só me devolver no final, quando olho ao redor, espantada, e percebo que estava em transe. mas A Grande Beleza não é destes (pelo menos, para mim)... ele fez com que eu acompanhasse o questionamento do protagonista, também questionando a minha própria vida e as minhas próprias escolhas.
com o desenrolar da trama, fica claro que ele é um escritor frustrado, que menospreza o trabalho que faz, mas não tenta, de fato, escrever uma segunda obra -- nesta altura, não fica claro se tem medo de não conseguir escrever algo à altura da primeira, ou se está meramente esperando o insight aparecer.
neste meio tempo, apesar da sua visão blasée e sarcástica do mundo, há um fio de esperança, tênue e discreto, por trás.
quem não se identificaria quando ele decidiu que já tinha idade suficiente para não ter que fazer o que não quer? quem não se emocionaria com o seu olhar faminto e entregue às obras de arte que o rodeiam?
Henri Bergson, um dos expoentes no estudo sobre humor, explica que entre nós e a natureza, melhor, entre nós e nossa própria consciência, um véu se interpõe, véu espesso para o comum dos homens, leve véu, quase transparente, para o artista e para o poeta.
o véu, para Jep, é quase inexistente. mas ele escolheu usar uma venda.
porém a sua epifania vem de uma sucessão de circunstâncias inusitadas, que passam pela despedida de um grande amigo e por um truque de desaparecimento de uma girafa, culminando em uma revoada de flamingos... assim, não há venda que resista!
OFF - Labirinto de Paixões
outro Almodóvar estava na sacola de empréstimos do meu mecenas: Labirinto de Paixões foi o segundo da sua carreira. como todo louco que se preze tem padrões, percebe-se muito claramente as histórias que fazem parte da maioria de suas obras: sexo, diálogos frenéticos, relações familiares quebradas, baratismo e roupas espalhafatosas.
a trama corre de maneira, muitas vezes, bem lenta, o que torna o filme um pouco cansativo...
mas foi muito interessante ver a naturalidade com que os personagens encaravam todas as coisas que aconteciam, como a protagonista ser ninfomaníaca desde criança ou uma filha se resignar por ser violentada pelo pai com frequência...
mas, no final, tudo faz sentido, e não pude me furtar a comparar o roteiro de Labirinto com um encontro de A Moreninha com Nelson Rodrigues, adaptada para o cinema espanhol.
o camafeu, que redime os protagonistas de suas vidas errantes, é a aspirante a imperatriz: é ela quem parte a estrada em duas, que faz com que a vida de ambos seja só de desencontros, até que as trilhas novamente se cruzem.
realmente, não há título mais apropriado para este filme!
OFF - A Flor do Meu Segredo
mesmo com toda a minha assumida admiração pelo Almodóvar (vê-se pela quantidade de posts que a ele fazem referência), ainda não vi todos os seus filmes, especialmente os mais antigos (antes de 1997, pelo menos).
assim, sempre que posso, pego emprestado do meu mecenas em brasólia (hahaha) alguns filmes e, no meio da última leva, eu trouxe, entre outros, o A Flor do Meu Segredo.
é um filme muito bonito e até delicado, que fala de amor e suas circunstâncias: amor correspondido, platônico, traição, amor cego, amor familiar... mas tudo isso com aquela pimenta já característica!
com diálogos rápidos e intensos, a película gira ao redor de Leo (Marisa Paredes), uma mulher apaixonada pelo marido (que não mora mais em Madrid, por conta da guerra), que se sente extremamente sozinha e atravessa um hiato criativo, impedindo-a de escrever as melosas histórias de amor estilo Julia/Sabrina/Bianca, que publica sob pseudônimo e que é sucesso de vendas.
a primeira cena do filme, na qual ela calça botas que o marido a havia dado, mas que ela não as consegue descalçar sozinha, além de ser de uma carência beirando o MADA, faz referência direta à musa Patty Diphusa, que, em uma das suas crônicas, passa por cena semelhante.
essa carência se vê em todo o desenrolar da história, onde a personagem rui "aos muitos" ("aos poucos" é para os fracos!), ensimesmando-se no seu próprio drama, que não julga capaz de carregar, e não enxerga o mundo ao redor, as outras possibilidades que lhe aparecem na vida.
ao discutir com o marido (que ela o acusava de usar a guerra na Bósnia como desculpa para não lidar com o casamento deles), ele finalmente desiste e joga a pá de cal em cima do relacionamento:
a mãe (a insana e maravilhosa Chus Lampreave!) a diagnostica como "uma vaca sem badalo" (perdida, sem rumo e sem orientação), e Leo, aos poucos (agora sim: pra descer é sempre mais rápido do que pra subir, né?), começa a sair do casulo e a viver.
menção honrosa para a trilha sonora, especialmente a minha surpresa (não é tão surpreendente, eu sei) ao reconhecer Caetano cantando Ay Amor (ou Dolor y Vida), nos créditos finais. essa música faz parte do Fina Estampa, e esse disco me é emblemático, por causa do meu pai, que o adora, e que já me fez ouvi-lo trocentas vezes.
assim, sempre que posso, pego emprestado do meu mecenas em brasólia (hahaha) alguns filmes e, no meio da última leva, eu trouxe, entre outros, o A Flor do Meu Segredo.
é um filme muito bonito e até delicado, que fala de amor e suas circunstâncias: amor correspondido, platônico, traição, amor cego, amor familiar... mas tudo isso com aquela pimenta já característica!
com diálogos rápidos e intensos, a película gira ao redor de Leo (Marisa Paredes), uma mulher apaixonada pelo marido (que não mora mais em Madrid, por conta da guerra), que se sente extremamente sozinha e atravessa um hiato criativo, impedindo-a de escrever as melosas histórias de amor estilo Julia/Sabrina/Bianca, que publica sob pseudônimo e que é sucesso de vendas.
a primeira cena do filme, na qual ela calça botas que o marido a havia dado, mas que ela não as consegue descalçar sozinha, além de ser de uma carência beirando o MADA, faz referência direta à musa Patty Diphusa, que, em uma das suas crônicas, passa por cena semelhante.
essa carência se vê em todo o desenrolar da história, onde a personagem rui "aos muitos" ("aos poucos" é para os fracos!), ensimesmando-se no seu próprio drama, que não julga capaz de carregar, e não enxerga o mundo ao redor, as outras possibilidades que lhe aparecem na vida.
ao discutir com o marido (que ela o acusava de usar a guerra na Bósnia como desculpa para não lidar com o casamento deles), ele finalmente desiste e joga a pá de cal em cima do relacionamento:
-- (...) pensei que você era especialista em conflitos!e ela quebra. "dicunforça".
-- sim, mas não há guerra que se compare a você!
a mãe (a insana e maravilhosa Chus Lampreave!) a diagnostica como "uma vaca sem badalo" (perdida, sem rumo e sem orientação), e Leo, aos poucos (agora sim: pra descer é sempre mais rápido do que pra subir, né?), começa a sair do casulo e a viver.
menção honrosa para a trilha sonora, especialmente a minha surpresa (não é tão surpreendente, eu sei) ao reconhecer Caetano cantando Ay Amor (ou Dolor y Vida), nos créditos finais. essa música faz parte do Fina Estampa, e esse disco me é emblemático, por causa do meu pai, que o adora, e que já me fez ouvi-lo trocentas vezes.
sábado, 18 de janeiro de 2014
C03 - O Lobo de Wall Street
sexta à noite, em brasólia.
quase nunca me aventuro em salas de cinema nesse horário, e me choquei ao ver a sessão LOTADA (não consegui sentar ao lado da minha amiga, só para se ter noção).
imagino que essa procura toda se deva, em parte, à mistura do "efeito Globo de Ouro" com as indicações do Oscar (melhor filme, ator, ator coadjuvante, roteiro adaptado e diretor).
é o segundo da lista de indicados ao prêmio principal que vejo, e o primeiro com indicado para melhor ator, mas não posso deixar de me render a Leonardo DiCaprio: incrível é pouco, para a atuação dele!
o filme adapta a história real de Jordan Belfort, cuja alcunha é o título do filme, e conta a sua ascensão meteórica no mercado de ações, unindo técnicas nada ortodoxas para chegar até o seu objetivo, que acaba sendo sempre querer mais.
chapava-se para suportar a pressão do trabalho, que, muitas vezes, se assemelhava a uma seita, com seus dogmas bem claros e expressos no speech de treinamento dos fiéis... pessoal e profissional se mesclaram, obviamente, e estar vivo era estar eternamente chapado.
mas o incrível é como um personagem tão avesso a todo tipo de regra é tão cativante! talvez seja a falta de pudor em ligar o foda-se, a pachorra em escolher viver nos seus termos e somente neles, independentemente das consequências...
torci por ele, torci para que, mesmo com "as galinhas voltando para o galinheiro", ele não perdesse essa essência iconoclasta que o pintava de laranja, na multidão de cinzentos.
vestir a roupa de um personagem tão fascinante não é fácil, mas Leonardo DiCaprio, há tempos, não é qualquer um.
Oscar, meu bem, morda a língua e entregue logo essa "estáuta" pra ele!
p.s. Jonah Hill também está maravilhoso, mas acho que o prêmio de ator coadjuvante dificilmente sairá das mãos de Jared Leto!
quase nunca me aventuro em salas de cinema nesse horário, e me choquei ao ver a sessão LOTADA (não consegui sentar ao lado da minha amiga, só para se ter noção).
imagino que essa procura toda se deva, em parte, à mistura do "efeito Globo de Ouro" com as indicações do Oscar (melhor filme, ator, ator coadjuvante, roteiro adaptado e diretor).
é o segundo da lista de indicados ao prêmio principal que vejo, e o primeiro com indicado para melhor ator, mas não posso deixar de me render a Leonardo DiCaprio: incrível é pouco, para a atuação dele!
o filme adapta a história real de Jordan Belfort, cuja alcunha é o título do filme, e conta a sua ascensão meteórica no mercado de ações, unindo técnicas nada ortodoxas para chegar até o seu objetivo, que acaba sendo sempre querer mais.
chapava-se para suportar a pressão do trabalho, que, muitas vezes, se assemelhava a uma seita, com seus dogmas bem claros e expressos no speech de treinamento dos fiéis... pessoal e profissional se mesclaram, obviamente, e estar vivo era estar eternamente chapado.
mas o incrível é como um personagem tão avesso a todo tipo de regra é tão cativante! talvez seja a falta de pudor em ligar o foda-se, a pachorra em escolher viver nos seus termos e somente neles, independentemente das consequências...
torci por ele, torci para que, mesmo com "as galinhas voltando para o galinheiro", ele não perdesse essa essência iconoclasta que o pintava de laranja, na multidão de cinzentos.
vestir a roupa de um personagem tão fascinante não é fácil, mas Leonardo DiCaprio, há tempos, não é qualquer um.
Oscar, meu bem, morda a língua e entregue logo essa "estáuta" pra ele!
p.s. Jonah Hill também está maravilhoso, mas acho que o prêmio de ator coadjuvante dificilmente sairá das mãos de Jared Leto!
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