assim, sempre que posso, pego emprestado do meu mecenas em brasólia (hahaha) alguns filmes e, no meio da última leva, eu trouxe, entre outros, o A Flor do Meu Segredo.
é um filme muito bonito e até delicado, que fala de amor e suas circunstâncias: amor correspondido, platônico, traição, amor cego, amor familiar... mas tudo isso com aquela pimenta já característica!
com diálogos rápidos e intensos, a película gira ao redor de Leo (Marisa Paredes), uma mulher apaixonada pelo marido (que não mora mais em Madrid, por conta da guerra), que se sente extremamente sozinha e atravessa um hiato criativo, impedindo-a de escrever as melosas histórias de amor estilo Julia/Sabrina/Bianca, que publica sob pseudônimo e que é sucesso de vendas.
a primeira cena do filme, na qual ela calça botas que o marido a havia dado, mas que ela não as consegue descalçar sozinha, além de ser de uma carência beirando o MADA, faz referência direta à musa Patty Diphusa, que, em uma das suas crônicas, passa por cena semelhante.
essa carência se vê em todo o desenrolar da história, onde a personagem rui "aos muitos" ("aos poucos" é para os fracos!), ensimesmando-se no seu próprio drama, que não julga capaz de carregar, e não enxerga o mundo ao redor, as outras possibilidades que lhe aparecem na vida.
ao discutir com o marido (que ela o acusava de usar a guerra na Bósnia como desculpa para não lidar com o casamento deles), ele finalmente desiste e joga a pá de cal em cima do relacionamento:
-- (...) pensei que você era especialista em conflitos!e ela quebra. "dicunforça".
-- sim, mas não há guerra que se compare a você!
a mãe (a insana e maravilhosa Chus Lampreave!) a diagnostica como "uma vaca sem badalo" (perdida, sem rumo e sem orientação), e Leo, aos poucos (agora sim: pra descer é sempre mais rápido do que pra subir, né?), começa a sair do casulo e a viver.
menção honrosa para a trilha sonora, especialmente a minha surpresa (não é tão surpreendente, eu sei) ao reconhecer Caetano cantando Ay Amor (ou Dolor y Vida), nos créditos finais. essa música faz parte do Fina Estampa, e esse disco me é emblemático, por causa do meu pai, que o adora, e que já me fez ouvi-lo trocentas vezes.

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